Parte 3  PERSONALIDADE
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM
Depois de estudar este capitulo, voc dever ser capaz de:
explicar o que significa personalidade em Psicologia;
 nomear e descrever os princpios subjacentes s diversas definies de per sonalidade;
 apontar os dois grandes fatores que formam a personalidade e explicar a re lao entre 
eles;
 explicar por que a hereditariedade significa, ao mesmo tempo, diferenas e semelhanas 
entre os indivduos;
 distinguir entre hereditariedade da espcie e individual e fornecer exemplos da 
influncia de ambas na formao da personalidade;
 distinguir entre meio fsico e social e fornecer exemplos da influncia de ambos na 
formao da personalidade;
- listar e descrever as diferentes maneiras de medir a personalidade.

Cap. 11 - CONCEITO, FORMAO E MEDIDA DA PERSONALIDADE
CONCEITO DE PERSONALIDADE
Todos ns j ouvimos falar, provavelmente muitas vezes, em per sonalidade Ou  um pai 
que, orgulhoso, diz que seu filho tem uma personalidade forte, ou algum que, ressentido, 
diz que seu colega n tem personalidade
O que estas pessoas estariam querendo significar com esta palavra? Pode ser que o pai 
esteja dizendo que seu filho exerce uma influncia
marcante sobre os amiguinhos dele e a outra pessoa, quem sabe, est
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afirmando que o colega no sustenta suas opinies em todas as situa es.
O que parece comum, neste exemplos, e tambm sempre que a pa lavra personalidade  
usada na linguagem informal,  a referncia a um atributo ou caracterstica da pessoa, que 
causa alguma impresso nos outros. Isto tambm  vlido quando se ouve falar em 
personali dade tmida ou agressiva, etc.
Este significado implcito  derivado, provavelmente, do sentido etimolgico da palavra.
Personalidade se origina da palavra latina persona, nome dado  mscara que os atores do 
teatro antigo usavam para representar seus papis (per-sona significa soar atravs).
O sentido original do termo est, pois, bastante relacionado ao sen tido popular porque se 
refere  aparncia externa,  impresso que cada um causa nos outros.
E os psiclogos, o que entendem por personalidade?
O psiclogo Gordon Allport, da Universidade de Harvard, listou, em 1937, cinqenta 
definies diferentes da palavra e, depois de estu d-las, classificou-as em categorias gerais. 
Este estudo e outros que pos teriormente foram feitos, permitiram identificar a existncia de 
idias fundamentais comuns a respeito da personalidade, isto , pode-se perceber princpios 
subjacentes s vrias tentativas de conceituar per sonalidade. Estes princpios so:
a) Principio da globalidade: Os vrios traos e caractersticas, os vrios sistemas, 
cognitivo, afetivo e de comportamento so integrados e fundidos. Elementos inatos, 
adquiridos, orgnicos e sociais esto in cludos no conceito de personalidade. Personalidade 
 tudo o que so mos.
b) Princpio social. impossvel pensar em personalidade sem di menses sociais. As 
caractersticas de personalidade se desenvolvem e se manifestam em situaes sociais. A 
personalidade consiste nos h bitos e caractersticas adquiridos em resultado das interaes 
sociais, que promovem o ajustamento do indivduo ao meio social.
c) Princpio da dinamicidade. Personalidade  um conceito essen cialmente dinmico. Os 
vrios elementos interagem, combinando-se e produzindo efeitos novos e originais. 
Entende-se, pois, que a perso nalidade  o que organiza, integra e harmoniza todas as 
formas de com portamento e caractersticas do indivduo, de tal maneira que h um grau de 
coerncia no comportamento. Apesar da coerncia e estabili dade, a personalidade  sempre 
capaz de receber novas influncias, adaptar-se a novas circunstncias.
d) Princpio da individualidade. A personalidade  sempre uma rea lidade individual, que 
marca e distingue um ser do outro. H sem pre uma dimenso peculiar e nica da 
personalidade. Cada um de ns  nico no mundo. A personalidade, ento,  o conjunto de 
todos os aspectos prprios do indivduo pelos quais ele se distingue dos outros.
A partir de todas estas concepes comumente aceitas, pode-se, re sumindo, dizer que, em 
Psicologia, entende-se por personalidade quele conjunto total de caractersticas prprias 
do indivduo que integradas, estabelecem a forma pela qual ele reage costumeiramente ao 
meio.
possvel perceber que personalidade , talvez, o conceito mais amplo em Psicologia, j 
que abrange, de uma forma ou de outra, todos os tpicos estudados por esta cincia, como o 
fsico, as influncias sociais, as emoes, a aprendizagem, as motivaes, etc.
Todo o conhecimento psicolgico, enfim, contribui, para a compre enso da personalidade: 
os fatores que a constituem, como ela se desen volve, as causas das diferenas individuais, 
etc.
A FORMAO DA PERSONALIDADE
A configurao nica da personalidade de um indivduo desenvol ve-se a partir de fatores 
genticos e ambientais.
Os fatores genticos exercem sua influncia atravs da estrutura orgnica e do processo de 
maturao. Os fatores ambientais incluem tanto o meio fsico como social e comeam a 
influenciar a formao da personalidade j na vida intra-uterina.
No mesmo instante em que o ovulo  fecundado, isto , no momen to da concepo, o ser 
humano recebe a totalidade de sua herana gentica. Nada poder ser acrescentado. Mas a 
partir do momento da fecundao, este projeto de indivduo se encontra necessariamente 
sob a influncia de um ambiente, o tero materno, habitat primrio dos mamferos. 
Portanto, do ponto de vista da gentica, nem tudo aquilo com que nascemos (congnito)  
hereditariedade.
Personalidade e Hereditariedade
Hereditariedade  a transmisso de caracteres dos pais aos seus des cendentes atravs dos 
genes. Os genes (ou gens) so estruturas mins culas encontradas nos cromossomos, 
presentes no ncleo das clulas.
As clulas humanas, segundo as ltimas pesquisas, tm 46 cromos somos dispostos em 23 
pares. As clulas germinativas (espermatozide e vulo) contm apenas um membro de 
cada par, de modo que, quando se unem e formam o zigoto, completam novamente os 23 
pares.
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Assim, na formao de cada novo indivduo, exatamente a metade dos cromossomos vm 
do pai e a outra metade, da me.
Um clculo terico estabeleceu em 8.385.108 (223) o nmero possvel de combinaes 
diferentes de cromossomOs para um nico homem ou para uma mesma mulher (Krech e 
Crutchfield, 1974, p. 241). Resulta da que, numa concepo, qualquer um destes milhes 
de espermatozides diferentes pode fecundar qualquer um dos milhes de ti pos de vulos. 
A possibilidade de nascerem indivduos diferentes, no entanto,  ainda infinitamente maior, 
dado o fenmeno do atravessamento, isto ,  possvel troca de genes entre os 
cromoSsomoS.
Apontam Bigge e Hunt (1975, p. 155) que as combinaes possveis de genes so de tal 
ordem que um nico casal poderia ter 20 tipos diferentes de crianas, nmero superior ao 
total de seres humanos que jamais existiram.
No  surpreendente, portanto, que dois irmos possam ser muito diferentes entre si e nem 
que cada pessoa seja nica no mundo.
Seria um erro pensar, entretanto, que a hereditariedade estabelea apenas diferenas entre 
as pessoas; existe um limite para as diferenas individuais estabelecidas pela 
hereditariedade. Qualquer que seja a combinao de cromossomos que venha a ocorrer, 
nada poder estar a que no tenha provindo de um dos pais. Quanto mais prximas as 
relaes de parentesco entre as pessoas, menores so as diferenas genticas encontradas. 
Assim, as diferenas entre primos so maiores do que entre irmos, entre gmeos fraternos 
do que entre gemos idnticos. Estes, gmeos univitelneos, so as nicas pessoas iguais 
entre si do ponto de vista gentico. Por isso, so de grande interesse para o estudo das 
questes ligadas  hereditariedade.
Como a hereditariedade influencia a formao da personalidade? Em primeiro lugar,  
preciso deixar bem claro que a hereditariedade no se constitui em causa direta do 
comportamento. Sua influncia se d de forma indireta, atravs das estruturas orgnicas 
pelas quais respondemos aos estmulos.
Para se compreender melhor a influncia da hereditariedade,   til distinguir entre 
hereditariedade da espcie e hereditariedade individual.
A hereditariedade da espcie caracteriza todos os membros de uma mesma espcie. Certas 
possibilidades e limitaes do comportamento; j so estabelecidas aqui pelas diferentes 
estruturas orgnicas herdadas.
As estruturas orgnicas diferentes  que possibilitam ao pssaro voar e ao homem falar e 
no possibilitam o vice-versa. Enfatiza-se a expesso possibilidade, j que a presena de 
determinada estrutura  condio necessria, mas no suficiente para o desenvolvimento de 
determina do comportamento. O fato de possuirmos uma estrutura que nos permi te falar 
lnguas estrangeiras no garante que necessariamente as falare mos. As estruturas so 
herdadas mas o comportamento no.
A maturao  o processo fisiolgico pelo qual a hereditariedade atua durante toda a vida, 
determinando mudanas na estrutura do cor po, no funcionamento das glndulas e do 
sistema nervoso. Em conse qncia, tambm ocorrero mudanas no comportamento. 
Assim,  tambm responsabilidade da hereditariedade da espcie que espcis diferentes 
tenham diferentes ritmos de maturao.
O conhecido estudo de Kellogg, da Universidade de Indiana, apon tou este fenmeno. Esses 
estudiosos trouxeram para casa um filhote de chipanz, Gua, e o trataram em tudo como a 
seu prprio filho Donald. As mesmas condies de estimulao e aprendizagem foram 
garantidas. O chipanz, devido ao seu ritmo de maturao, aprendeu a subir uma escada e a 
desc-la, abrir uma porta, operar um interruptor de luz, beber em um copo, comer com a 
colher e controlar os esfncteres, tudo isto bem antes que Donald. No entanto, aos poucos, 
Donald passou a superar Gua.
A hereditariedade da espcie determina, ainda, que espcies dife rentes tenham diferentes 
comportamentos instintivos ou no apren didos. (Ver cap. 8).
A hereditariedade individual  a que, excetuando-se a influncia do ambiente, faz um 
indivduo ser diferente de outro da mesma esp cie.
Os indivduos, j por ocasio do nascimento, diferem acentuada mente quanto ao nvel de 
atividade. Isto, por sua vez, acarretar dife renas acentuadas na maior ou menor percepo 
de estmulos e conse qente aprendizagem. Desde o nascimento, umas crianas reagem 
pron tamente s variaes de luz, som, temperatura, etc. e outras permane cem quase 
insensveis.
Provavelmente, os fatores hereditrios desempenham papel mais preponderante na 
determinao dos padres de comportamento dos animais do que dos seres humanos. 
Mesmo assim nossas diferenas fi siolgicas, determinadas geneticamente, desempenham 
papel decisivo na formao de nossa personalidade.
Apesar de no existir uma relao causal direta entre estruturas hereditrias e auto-estima, 
agressividade, sociabilidade e outras carac tersticas de personalidade, ns nos 
comportamos por meio de nosso corpo e a estrutura e funcionamento do organismo so 
influncia dos pela hereditariedade.
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A nossa aparncia fsica influencia muito na maneira pela qual se remos tratados pelos 
outros e a partir das relaes interpessoais se estabelecem muitas caractersticas pessoais, 
como o auto-conceito e outras. (Ver cap. 4).
So aceitos os princpios segundo os quais incapacidades corpo rais e deformidades fsicas 
influenciam a personalidade. Elas determi nam no s um auto-conceito negativo, mas 
tambm desencadeiam mecanismos compensatrios. Adier defendeu com vigor esta tese.
De um modo geral, as pesquisas indicam que pessoas portadoras de defeitos fsicos ou 
muito diferentes, fisicamente, da maioria das pes soas na sua cultura, apresentam um indice 
maior de retraimento social, infelicidade e comportamentos defensivos. Esses indivduos 
so, em geral, desestimados pelo sociedade e tm grande propenso para aceitar esse 
julgamento desfavorvel, o que os conduz inevitavelmente a um conceito negativo de si 
mesmos. Interiorizado o conceito negativo, passam a agir de acordo com ele. O nvel de 
ansiedade tambm costu ma ser maior nestas pessoas. Sob o domnio da ansiedade, sentem 
maiores dificuldades e enfrentam menos adequadamente o meio.
Outra descoberta que atesta a influncia da hereditariedade indivi dual sobre a 
personalidade  que inmeras desordens de comportamen to pressupem certas 
predisposies orgnicas herdadas. Estados de pressivos, por exemplo, podem ser causados 
por insuficincia de insu lina.
Para concluir, ressalta-se a idia de que a hereditariedade no  causa direta do 
comportamento, mas atravs das estruturas orgnicas, estabelece limites para as 
manifestaes comportamentais.
Parece ser til a diviso do conceito de ambiente em ambiente fsico e social. O primeiro se 
refere s influncias da nutrio, tempe ratura, altitude etc., e o segundo s influncias das 
relaes interpes soais.
Pode-se, portanto, incluir sob o rtulo  um nmero enorme, de fatores que influem na 
formao da personalidade. Entre eles esto: a situao pr-natal, as primeiras experincias 
infantis, a constelao familiar, as relaes entre pais e filhos, as variadas influn cias 
culturais e institucionais e muitos outros.
J so amplamente conhecidos os resultados de alteraes no am biente pr-natal. Dieta 
inadequada, ingesto de drogas e tratamento de raio X durante a gravidez podem alterar 
profundamente a perso nalidade do futuro beb. Emoes fortes e prolongadas, neste pero 
do, podem fazer o mesmo. Isto se deve, provavelmente, s alteraes hormonais que 
passam, atravs da placenta, para o feto, tornando-o
excessivamente ativo. Depois do nascimento, esta criana pode conti nuar a sofrer os 
efeitos destas alteraes, sendo hiperativa e irritvel.
A nutrio  um fator dos mais importantes no desenvolvimen to da personalidade em 
muitos, seno em todos os aspectos, como, inteligncia, constituio fsica, coordenao 
motora, ateno, mem ria, etc., sem se falar nas caractersticas derivadas destas, como  o 
caso do auto-conceito.
As primeiras experincias na vida de uma pessoa so as mais impor tantes. Freud e a 
maioria dos estudiosos acredita que a estrutura da personalidade  fixada nos primeiros 
anos de vida; o que ocorre ou dei xa de ocorrer neste perodo  decisivo.
Tem-se pesquisado bastante, recentemente, sobre os efeitos das privaes de estimulao 
nos primeiros momentos da vida. Vrios es tudos envolvendo crianas criadas em 
orfanatos, comparadas com cri anas criadas em ambientes familiares, apontam, naquelas, 
uma srie de problemas como sade fraca, declnio intelectual progressivo e desajuste 
social e emocional.
As privaes sensoriais iniciais tm uma influncia marcante no desenvolvimento da 
criana, que no  facilmente superada mesmo que depois se lhes oferea um meio 
estimulante. Os estudos efetuados com as chamadas crianas selvagens ilustram bem este 
ponto. Com animais, muitas so as pesquisas sobre privao sensorial ou quaisquer 
condies especiais do ambiente no incio da vida.
Harlow e Zimmermann estudaram macacos criados por mes verdadeiras e mes substitutas 
feitas de pano e arame. (Este estudo j foi referido no cap. 6). Em situaes de emergncia, 
os filhotes recorriam  me substituta de pano, independentemente de qual delas ha via 
amamentado o animal. Ficou claro que o contato macio e aconchegante representa uma 
estimulao importante. Mesmo os filhotes criados com a me de pano, comparados aos 
criados com a me verdadeira, apresentam, na vida adulta, comportamentos peculiares e 
anormais. So mais agressivos e anti-sociais, apresentam desenvolvimento psicomotor 
deficiente e tm grande dificuldade de manter relaes sexuais normais.
Freud foi um dos primeiros estudiosos a chamar a ateno para as experincias 
traumatizantes, principalmente na primeira infncia. Atribuiu grande importncia a certas 
atividades como a de alimentar a criana, o treinamento para o controle dos esfncteres, 
educao sexual e o controle da agresso.
Alfred Adier procurou na constelao familiar uma explicao para a personalidade. Cada 
membro da famlia tem uma posio dife
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rente que  determinada pelo sexo e pela ordem de nascimento. Essa posio no contexto 
familiar gera certas caractersticas peculiares.
Rosenthal estudou a relao existente entre expectativas dos pais e o nvel de aspirao e 
desempenho dos filhos.
Alm das primeiras experincias e do meio familiar, a sociedade exerce poderosa influncia 
sobre a personalidade, particularmente no perodo da adolescncia, quando os grupos de 
amigos, a escola e a cultura tornam-se poderosos agentes determinantes da personalidade.
Tipos de Estudos sobre a Questo Hereditariedade e Meio-Ambiente
J se destacou, no Cap. 9, a dificuldade e talvez, mesmo, impropriedade de se traar uma 
linha demarcatria entre as influncias da hereditariedade e ambiente. Estes dois fatores 
interagem, numa relao multiplicativa, para determinar qualquer caracterstica da 
personalidade.
No entanto, muitas vezes seria desejvel, at por razes prticas, estabelecer o peso da 
contribuio de cada fator nas diferenas encontradas entre os indivduos. Por exemplo, se 
a inteligncia fosse uma questo preponderantemente gentica, tornar-se-iam de pouca 
utilidade os esforos de muitos programas educacionais que buscam desenvolv-la.
Apenas pela observao do comportamento de uma pessoa, entre tanto, no  possvel 
responder a questes como esta. Para isso, muitos estudos tm sido criativamente 
elaborados. (alguns j foram referidos neste livro).
Os primeiros consistiram em investigar genealogias familiares.
Francis Galton, cientista ingls, publicou uma obra em 1869 sobre isto. Estudou um grande 
nmero de rvores genealgicas de pessoas ilustres (principalmente entre militares e 
artistas) e acreditou ter encontrado provas de que a genialidade  herdada. De Candolle, 
suo, 1873, escreveu uma espcie de refutao s idias de Galton. Listou uma srie de 
influncias ambientais, tais como riqueza, boa educao, localizao geogrfica, 
laboratrios e bibliotecas acessveis, que teriam influenciado mais de 500 cientistas 
europeus.
Estes dois estudiosos, infelizmente, cometeram o mesmo tipo de erro. Levados pelo 
entusiasmo de provar as suas idias, ignoraram a influncia ambiental ou gentica.
Os casos dramticos e raros das chamadas crianas selvagens, embora sem dados 
completos, fornecem um exemplo vigoroso da in fluncia do meio-ambiente.
Trata-se de crianas que foram encontradas vivendo nas florestas,
como animais. Os casos mais conhecidos so o do selvagem de Avey ron, menino de uns 
11 anos, encontrado em 1799, ao sul da Frana; o das crianas-lobo, duas meninas que 
viviam com lobos, com 9 e 2 anos aproximadamente, encontradas em 1920, na provncia de 
Bengala, na ndia; o caso de Tamasha, o rapaz selvagem de Salvador, que possuia 
muitos comportamentos de macaco.
O estudo destes casos, nem sempre to detalhados quanto seria de sejvel, leva a algumas 
poucas concluses. Estas crianas desenvolve ram comportamentos de certa forma 
adaptados ao seu ambiente, como certos meios de locomoo, sons lingsticos, reaes 
emocionais. Estes comportamentos, entretanto, esto longe de ser aqueles que conhecemos 
como humanos. No existe a linguagem, a conduta social, o raciocnio, pelo menos como 
os conhecemos.
 possvel uma recuperao, at certo ponto, destas crianas, mas quanto maior o tempo em 
que ficaram isoladas, menor a probabilidade de virem a ser normais.
Experimentos tm sido feitos com animais, em que eles so cria dos em condies de 
isolamento desde a mais tenra idade, permitindo-se-lhes ou no, estimulao sensorial. As 
observaes destes animais, na idade adulta, mostram que eles se tornam pouco adaptveis, 
no mostram algumas das reaes que se considera tpicas das espcies e no resolvem 
problemas simples de aprendizagem.
O cruzamento seletivo de animais (ver exemplo no cap. 9) mostrou que  possvel obter, em 
poucas geraes, descendentes com caractersticas bem evidentes: maior ou menor 
inteligncia, agressividade, emotividade, etc.
Com seres humanos, um experimento de privao sensorial consiste em colocar pessoas 
(voluntrios) num pequeno compartimento com o menor nmero de estmulos possvel: 
olhos vendados, ouvidos tapados, mos e ps cobertos por luvas grossas (Bexton, Heron e 
Scott). Os sujeitos relatam que em muito pouco tempo tornam-se incapazes de concentrar-
se em qualquer coisa e comeam a ter alucinaes.
Estes estudos enfatizam a necessidade de contato contnuo com o meio-ambiente fsicos e 
social para um comportamento normal.
Os gmeos idnticos criados em ambientes diferentes constituem um objeto de especial 
interesse para os psiclogos, pois sendo sua constituio gentica exatamente a mesma, 
eventuais diferenas obser vadas no seu comportamento podem ser atribudas  ao do 
meio.
Os gmeos fraternos, to parecidos geneticamente quanto dois irmos quaisquer, tm, na 
maioria dos casos, um ambiente muito pa recido. (No  possvel falar em ambientes 
iguais). No caso de serem
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detectadas diferenas muito acentuadas no seu comportamento, talvez elas possam ser 
atribu (das  hereditariedade.
Os filhos adotivos tambm se constituem em excelente material de estudo porque podem 
ser comparados, segundo muitas caractersticas, aos pais verdadeiros e aos pais adotivos. 
Quando em alguma caracters tica se assemelham mais aos pais verdadeiros,  razovel 
atribuir a se melhana  hereditariedade; se ocorre o contrrio, ao meio.
Os estudos com gmeos e filhos adotivos tm investigado, com maior freqncia, os efeitos 
da hereditariedade e meio sobre a inteli gncia, mas procurando-se fazer uma sntese das 
suas descobertas, os gmeos idnticos criados em ambientes diferentes (apesar de no se 
poder estabelecer em quanto) tm mostrado notvel semelhana em es trutura fsica, 
inteligncia e execuo motora. Gmeos fraternos, assim como outros irmos que crescem 
juntos, so muitos mais semelhantes do que os que crescem separados; os filhos adotivos 
so mais semelhan tes, no que se refere  inteligncia, aos pais verdadeiros do que aos pais 
adotivos.
Estas concluses parecem apoiar a tese da maior influncia da he reditariedade, mas 
quando, com estes mesmos sujeitos, se investiga as atitudes sociais e os interesses, verifica-
se que eles so determinados basicamente pelo meio.
A comparao entre as personalidades das pessoas criadas em cul turas diferentes (ver 
exemplo no Cap. 3) revela a grande diferena es tabelecida pelas condies diferentes de 
criao, hbitos, valores e pr ticas sociais, atestando a importncia do meio.
MEDIDA DA PERSONALIDADE
Tendo-se aprendido o conceito de personalidade, tendo-se dado conta da amplitude deste 
conceito, um subttulo como este mensu rao da personalidade h de causar espanto. 
Ser possvel medir tudo o que ns somos?
A resposta, obviamente,  no. Entretanto, os cientistas desenvol veram algumas maneiras 
de medir alguns aspectos da personalidade e estas maneiras receberam a denominao de 
testes de personalidade.
Assim, alguns testes avaliam a inteligncia, outros as atitudes, os valores, as dimenses 
introverso-extroverso, etc.
Uma avaliao formal e cuidadosa de alguns aspectos da persona lidade  recomendada 
quando decises importantes esto em pauta no caso de tratamento psiquitrico, admisso e 
promoo no trabalho, planejamento educacional e vocacional. Sem dvida, no se trata de
tarefa fcil: h muitos problemas tcnicos e ticos envolvidos nessa tarefa.
Os principais testes de personalidade so: entrevistas, escalas de a- vai iao, inventrios, 
testes projetivos e situacionais.
A entrevista, que pode ser mais ou menos estruturada, consiste num dilogo que possui 
propstio definido. Sem dvida, o treinamento do entrevistador determinar em grande 
parte a validade dessa tcnica. Deve-se ter presente que o comportamento do entrevistador 
pode interferir nas respostas do entrevistado.
As escalas de avaliao grfica, que podem ser respondidas pela prpria pessoa ou por 
outra,solicitam ao avaliador que registre num deter minado ponto do grfico o seu 
julgamento referente ao indivduo que est sendo objeto de anlise.
Exemplo: Como as pessoas reagem  sua presena?
_______________________________ L        1
Evitado        Tolerado        Estimado
Muito        Procurado
Estimado
O inventrio de personalidade  um questionrio bastante extenso e minucioso que o 
indivduo responde fornecendo informaes sobre si mesmo. Pode visar a medir um nico, 
ou vrios traos de personali dade. A maior dificuldade relacionada aos inventrios  a 
possibilida de que oferecem de se responder de acordo com o que se julga ser soci almente 
aceito. A pessoa no precisa ser muito inteligente para perce ber o que  recomendvel 
como resposta. Para evitar essas possveis fal sificaes os estudiosos tm elaborado 
indicadores de falsificao.
O Inventrio Multifsico de Personalidade de Minnesota (MMP), composto de 495 itens, 
representa um exemplo clssico de inventrio. Eis algumas das afirmaes que devem ser 
tomadas como verdadeiras, falsas, ou no posso dizer.
N gosto de toda a gente que conheo.
Algum tentou roubar-me.
Sou perturbado por acessos de nusea e vmito.
Disseram-me que costumo caminhar durante o sono.
O MMPI possui as seguintes escalas: Hipocondria, Depresso, His teria, Psicopatia, 
Masculinidade, Parania, Psicastenia, Esquizofrenia, Hipomania e Introverso Social.
Outros exemplos de inventrios so: a Tabela de Preferncias Pes 
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soais de Edwars (EPPS), o Teste 16 FP de Cattel, o Estudo de Valores Alipor  Vernon  
Lindzey.
Os testes projetivos caracterizam-se por respostas a estmulos pou co estruturados e 
bastante ambguos. Esses est(mu los provocam uma evocao da personalidade. O objetivo 
dos testes projetivos  a revela  de aspectos inconscientes e profundos da personalidade.
O teste de borro de tinta de Rorschach e o Teste de Apercepo Temtica (TAT) 
representam exemplos clssicos de tcnicas projetivas.
O TAT consiste basicamente em solicitar ao sujeito que, diante de qua dros ambguos, 
representando pessoas em variadas situaes, conte uma histria. O indivduo  orientado 
pelas questes: O que est acontecen do?, O que foi que provocou a cena? e Qual 
seria o desfecho?
Os testes projetivos fundamentam-se no seguinte pressuposto: As respostas provocadas 
pelos estmulos apresentados s pertinentes  personalidade do indivduo e se referem a 
contedos profundos que o sujeito, normalmente, resiste em revelar ou desconhece 
totalmente. Ao responder aos estmulos o indivduo projeta sua personalidade.
No teste situacional, psiclogos observam o comportamento do indivduo numa situao 
simulada da vida real. O pressuposto bsico  que a reao do sujeito diante desta situao 
representa sua reao  vida normal. Nos ltimos anos esta tcnica vem sendo muito 
empregada e oferece boas perspectivas.
OU E ST ES
1. O que se entende, em Psicologia, por personalidade?
2. Em que sentido as concepes populares divergem e se parecem com a concepo 
cient(fica sobre personalidade?
3. Quais so os princpios, sobre a personalidade, que foram identificados nas definies ao 
termo? Explic-los.
4. Quais s os dois grandes fatores formadores da personalidade? Como, de maneira geral, 
eles exercem sua influncia sobre a personalidade e como se relacionam para determin-la?
5. Como a hereditariedade estabelece diferenas e semelhanas entre as pessoas?
6. Qual  a distino entre hereditariedade da espcie e hereditariedade individual? Ilustrar 
a resposta com exemplos da influncia de cada um dos tipos de
hereditariedade.
7. Apontar algumas das influncias do meio fsico e social sobre a formao da 
personalidade.
8. possvel, literalmente, medir a personalidade? Explicar a resposta.
9. Nomear e descrever as diferentes maneiras de medir a personalidade.
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